
Pré-candidatura de O-é Paiakan fortalece representatividade indígena na política do Pará
As eleições estaduais de 2026 poderão marcar um momento histórico para a representatividade dos povos originários no Pará. A jovem liderança indígena O-é Paiakan, integrante da etnia Kayapó, anunciou sua pré-candidatura a deputada estadual, colocando os povos indígenas em posição de maior protagonismo no cenário político paraense.

Filha do saudoso cacique Paulinho Paiakan, uma das maiores lideranças indígenas do Brasil, O-é Paiakan vem utilizando as redes sociais para apresentar suas propostas e defender a necessidade de ampliar a participação dos povos originários nos espaços de decisão política do Estado.
Formada em Direito e Assistência Social, a pré-candidata afirma que sua entrada na disputa eleitoral nasceu da necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas não apenas aos povos indígenas, mas também às comunidades quilombolas, ribeirinhas e demais populações tradicionais que, segundo ela, ainda enfrentam invisibilidade social e política.

Natural do município de Cumaru do Norte, no sul do Pará, O-é Paiakan destaca que a ausência de representantes legítimos dos povos originários dentro dos espaços de poder contribui para que muitas demandas históricas permaneçam sem solução. Para ela, a participação indígena na política é fundamental para garantir voz ativa nas decisões que impactam diretamente as comunidades tradicionais.
“Não podemos continuar apenas sendo lembrados em discursos. Precisamos ocupar os espaços de decisão para lutar pelos nossos direitos, pela preservação da nossa cultura e também pelo desenvolvimento das comunidades que vivem à margem das políticas públicas”, tem defendido a líder Kayapó em suas manifestações públicas.
A pré-candidatura de O-é Paiakan também simboliza o fortalecimento da participação feminina indígena na política paraense, ampliando o debate sobre inclusão, diversidade e representatividade dentro da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
A possível eleição de uma representante legítima dos povos originários poderá abrir caminhos para uma maior participação indígena no processo político estadual, garantindo que comunidades historicamente excluídas tenham voz direta nas discussões sobre saúde, educação, preservação ambiental, direitos territoriais e desenvolvimento social no Pará. Dinho Santos